Por Erick Rodrigues

O mais recente filme de herói da Marvel, “Pantera Negra”, continua quebrando recordes e fazendo justificável sucesso pelo mundo. O longa se tornou o quarto filme da última década a alcançar US$ 100 milhões de bilheteria na segunda semana de exibição e, para os próximos dias, outros números devem ser superados.

Além de ser um ótimo entretenimento, “Pantera Negra” faz sucesso porque vai além do gênero que o classifica. O filme usa todos os ingredientes das produções de super-heróis para fazer o espectador pensar e confrontar os caminhos do mundo em que vivemos.

Dirigido por Ryan Coogler, “Pantera Negra” começa com a ascensão de T´Challa (Chadwick Boseman) ao trono de Wakanda, um reino africano infinitamente mais desenvolvido do que aparenta aos olhos do mundo. Para assumir o lugar do pai, T´Challa volta para casa para participar do ritual de coroação, que envolve um desafio físico com representantes de tribos locais e uma epifania espiritual, guiada pelo sábio Zuri (Forest Whitaker).

Logo após a coroação, T´Challa se depara com o primeiro desafio no posto: encontrar e capturar Ulysses Klaue (Andy Serkis), um bandido que, décadas antes, roubou vibranium de Wakanda. O vibranium é um metal considerado o mais resistente do mundo e serve de base para toda a tecnologia usada no reino, seja para saúde, transporte ou armas.

No roubo do vibranium, Klaue é ajudado por Erik Killmonger (Michael B. Jordan), que, escondendo sua origem, trai o comparsa para voltar a Wakanda e revelar um segredo que permite a ele reivindicar o trono, ameaçando a paz do reino e a forma como aquele povo se posiciona perante o mundo.

Foto: Divulgação/Marvel Studios

Além das cenas de ação e do ritmo empolgantes, “Pantera Negra” tem a coragem de carregar um subtexto poderoso, que transmite uma importante e necessária mensagem política para o mundo. Wakanda é um reino de terceiro mundo que esconde seu desenvolvimento de outras nações e, com chegada de T´Challa ao trono, começa a discutir os benefícios que outras partes do globo poderiam ter com a tecnologia desenvolvida ali.

Com isso, o roteiro estabelece um debate importante sobre o olhar para refugiados e as formas como os países têm se comportado em relação aos outros. O muro de Donald Trump para impedir a entrada de imigrantes; o movimento a favor do Brexit, no Reino Unido; e a disputa entre nações por uma soberania bélica, que envolve, inclusive, armas com poder de destruição em massa; tudo isso surge como reflexão na cabeça do espectador.

A raiva que parece mover o mundo nos últimos tempos também está presente no filme. Killmonger reivindica o trono de Wakanda e a chegada ao poder revela ódio, tirania e violência.

O longa também fala sobre racismo e a importância de ultrapassarmos a barreira do preconceito. Além da relevância de mostrar a cultura ancestral africana, ter um elenco majoritariamente negro é algo muito oportuno para o mercado de cinema, especialmente em Hollywood, passando um importante recado sobre representatividade.

“Pantera Negra” merece o título de melhor filme da Marvel até agora, mas, confrontando o mundo em que vivemos, deixa uma inspiração e um alerta para revermos os caminhos que estamos percorrendo.