Ótimos filmes que marcaram 2018

Divulgação

Por Erick Rodrigues

O mercado cinematográfico teve mais um ano movimentado, impulsionado, especialmente, por blockbusters e a continuidade de franquias de sucesso. Os filmes de super-heróis, que alimentam o interesse do público pela sétima arte nos últimos anos, seguiram contribuindo para encher as salas de cinema, sendo responsáveis, inclusive, por alguns dos campeões de bilheteria de 2018.

Estive em falta com os lançamentos do cinema neste ano, por isso, não foi possível acompanhar tudo o que foi lançado nas telonas em 2018. Não dá para ficar sem fazer, no entanto, a lista dos bons filmes que foram exibidos nesse período, ainda mais depois de apontadas as grandes decepções cinematográficas do ano.

Pensando assim, resolvi não ser tão definitivo e, ao invés de classificar os filmes como “os melhores”, para não correr o risco de ser injusto com algum que tenha passado batido, optei por indicar apenas ótimas produções que marcaram 2018, ficando restritas, claro, as que eu pude ver.

Alguns podem questionar o fato de terem sido escolhidos filmes lançados no ano passado, no mercado internacional, mas, para compor esse ranking, levei em consideração as datas de lançamento no Brasil, o que inclui alguns dos indicados ao último Oscar. Sendo assim, aqui vão os longas que podem representar bem o ano cinematográfico:

FILMES QUE MARCARAM 2018

Divulgação

– Três Anúncios Para um Crime

Começo a lista com o filmaço do período do Oscar, ainda que não tenha sido consagrado com a principal estatueta da premiação. “Três Anúncios Para um Crime”, a história da mulher que não se conforma com o assassinato da filha e decide expor o descaso das autoridades com a investigação, impressiona, especialmente, por conseguir retratar com precisão temas muito atuais, como extremismos e demonstrações públicas de raiva. Além de se conectar com o mundo de hoje, o filme se agiganta com a interpretação de Frances McDormand, excepcional como Mildred, a mãe machucada pela perda da filha. Forte, inteligente e necessário. Mais do que recomendado!

Divulgação

– Infiltrado na Klan

O diretor Spike Lee sempre procurou sustentar seus filmes com discursos poderosos, especialmente relacionados a desigualdades sociais. Em “Infiltrado na Klan”, lançado este ano, o cineasta atinge o ápice e apresenta o melhor trabalho dele, que consegue o equilíbrio ideal entre entretenimento e reflexão. A improvável história real sobre um policial negro que se infiltra nas reuniões do Ku Klux Klan, grupo que acredita na supremacia branca, é conduzida com maestria e acaba discutindo com o espectador temas muito oportunos, criando assustadoras associações com os dias atuais. O elenco é ótimo, especialmente pelos desempenhos de John David Washington e Adam Driver. Divertido e, ao mesmo tempo, uma experiência bastante reflexiva.

Divulgação

– Roma

A rotina simples de uma família no México dos anos 70 ganha um retrato belíssimo sob as lentes do diretor Alfonso Cuarón em “Roma”, filme lançado no serviço de streaming Netflix. Além de ser o trabalho mais autoral do cineasta, o longa apresenta uma estética sofisticada, que privilegia a fotografia em preto e branco, além dos movimentos de câmera que convidam o espectador a ter um olhar contemplativo sobre a história da empregada Cleo (Yalitza Aparicio), assoberbada pelos próprios problemas e pelo dia a dia de trabalho na casa dos patrões. Interessado no ser humano, Cuarón destaca a beleza do lado corriqueiro da vida.

Divulgação

– Pantera Negra

O primeiro filme solo do super-herói do universo Marvel deu um passo a mais no gênero e, além de divertir e entregar tudo o que se espera de obras assim, também proporcionou inspiração para o mundo em que vivemos, colocando temas importantes de serem discutidos, como o racismo e a importância de transpormos barreiras, sejam elas físicas ou não. Com um roteiro redondo, “Pantera Negra” constrói bons personagens, especialmente o vilão Killmonger (Michael B. Jordan), um dos melhores do universo Marvel e com propósitos bem marcados. Para o mercado cinematográfico, o filme também passa um recado importante sobre representatividade. Wakanda forever!

Divulgação

– Trama Fantasma

O ator Daniel Day-Lewis anunciou que “Trama Fantasma” seria seu último filme e que, depois, dele, iria se aposentar oficialmente das telas e dos palcos. Ainda é cedo para saber se ele vai conseguir cumprir a promessa, mas, se fizer isso, fechou a carreira com chave de ouro. O longa de Paul Thomas Anderson é um primor, tanto do ponto de vista estético como dramatúrgico. Privilegiando a sofisticação e a sutileza, o roteiro usa uma narrativa lenta para revelar, aos poucos, o que há por trás de um relacionamento nocivo, marcado por uma disputa de poder e sentimento de posse. Day-Lewis, como sempre, dá show como um estilista badalado e ajuda a mostrar que muitos segredos podem ser escondidos no forro de um vestido.

Divulgação

– A Balada de Buster Scruggs

Primeiro projeto original dos irmãos Joel e Ethan Coen para o Netflix, o filme “A Balada de Buster Scruggs” resgata o melhor da filmografia dos diretores e cria um universo coeso e inspirado em seis histórias independentes, amarradas pelo olhar único dos cineastas. Apesar de muito diferentes, inclusive com umas sendo melhores do que outras, as histórias resultam em uma complexa unidade, marcada pela capacidade dos irmãos Coen de construir bons personagens e subverter alguns clichês dos filmes que retratam o Velho Oeste. Como não poderia deixar de ser, o humor característico dos diretores segue muito presente e ajuda a construir esse grande prazer cinematográfico.

Divulgação

– Ilha dos Cachorros

Responsável por filmes festejados, como “O Grande Hotel Budapeste” e “Os Excêntricos Tenenbaums”, o diretor Wes Anderson lançou, em 2018, a animação “Ilha dos Cachorros”. Já tendo explorado o gênero em “O Fantástico Sr. Raposo”, o cineasta mostra um domínio total dos recursos adotados para contar a história futurista de uma cidade japonesa que decide banir os cães do convívio com os humanos e isolá-los em uma ilha, também usada como lixão. Não se deixe enganar pelas aparência, pois “Ilha dos Cachorros”, definitivamente, não é um filme para crianças. O roteiro, que parece ficcional demais, serve para gerar reflexão sobre a importância da não-segregação, independente de qualquer diferença ou espécie. Anderson ainda consegue o feito de transmitir muitos sentimentos com a expressão dos bonecos usados na animação em stop-motion.

Divulgação

– O Primeiro Homem 

Depois dos ótimos “Whiplash” e “La La Land”, o diretor Damien Chazelle não demorou muito para lançar o projeto seguinte, uma cinebiografia do astronauta norte-americano Neil Armstrong. Cercado de expectativas, “O Primeiro Homem” não decepcionou e manteve o nível dos trabalhos anteriores do cineasta. Mais uma vez usando a força de efeitos sonoros, Chazelle entende perfeitamente quando colocar estrondos e silêncios durante a trajetória do astronauta à Lua, em 1969. Sem engrandecer o episódio histórico, o filme mostra as fragilidades e incertezas do protagonista, que vive, com a mesma intensidade, o sonho do desbravamento e os traumas das perdas que marcam a vida dele. Outro diferencial é a câmera do diretor, detalhista e inspiradora. Chazelle acertou de novo neste ano!

Divulgação

– Vingadores: Guerra Infinita

Um dos filmes mais esperados de 2018, “Vingadores: Guerra Infinita” bateu recordes de bilheteria e fez a alegria dos fãs da Marvel. Reunindo quase todos os heróis desse universo, o longa finalmente apresentou o vilão Thanos (Josh Brolin) e a jornada dele para juntar as Joias do Infinito. Poucas vezes um antagonista do gênero foi tão bem apresentado e construído, deixando evidente as contradições do personagem e a justificativa para os planos dele. A construção do roteiro por núcleos, lidando bem com a presença de muitos heróis importantes na mesma tela, foi outro acerto do longa. O desfecho da história deixou os fãs ainda mais ansiosos pelo próximo filme, “Ultimato”, que vai trazer a reação dos Vingadores à trágica ação de Thanos, que conseguiu sentar e observar o universo do jeito que pretendia.

Divulgação

– O Insulto

Esse é mais um daqueles filmes necessário para refletir sobre o tempo que estamos vivendo. Indicado ao Oscar, o drama libanês consegue ultrapassar as barreiras territoriais e, mesmo abordando uma relação muito particular, reflete problemas universais. O insulto que marca a relação entre um empreiteiro e um mecânico retrata a intolerância entre as pessoas e a capacidade de colocar preconceitos e diferenças antes da empatia. Mais do que apontar lados certos ou errados, “O Insulto” traz uma complexidade impressionante ao mostrar a humanidade dos dois pontos de vista, além de servir como um espelho para analisarmos a incapacidade da sociedade de ouvir e respeitar o próximo. Para percebermos o quanto a intolerância pode nos separar!

Divulgação

– Benzinho

Protagonizado pela ótima Karine Teles, “Benzinho” é um retrato afetuoso sobre relações familiares e mostra os conflitos de uma mãe com dificuldade de deixar o filho mais velho “cair no mundo”. Enquanto vê Fernando (Konstantinos Sarris) cuidar dos preparativos para jogar handebol e estudar na Alemanha, Irene absorve calada todos os impactos emocionais causados pela partida do filho, além de ter que lidar com todos os outros problemas familiares, como as ilusões do marido e as angústias da irmã, vítima de violência doméstica. Além da protagonista, “Benzinho” também traz os ótimos desempenhos de Otávio Müller e Adriana Esteves, que ajudam a compor um núcleo familiar extremamente carismático.

Divulgação

– Missão: Impossível – Efeito Fallout

Desde “Protocolo Fantasma”, a franquia “Missão: Impossível” segue um caminho interessante, que atingiu o ápice em “Nação Secreta”, o quinto longa da série protagonizada por Tom Cruise. Neste ano, “Efeito Fallout” não fez feio e manteve a qualidade, reforçando a capacidade da franquia de produzir bom entretenimento de ação. O diretor Christopher McQuarrie, mais uma vez, mostrou ter a compreensão necessária sobre os elementos fundamentais do gênero, filmando sequências grandiosas e perseguições empolgantes. A adição de Henry Cavill e Angela Bassett ao elenco ajuda o sexto filme da franquia a renovar as energias.  Mais do que nunca, “Missão: Impossível” ocupa um lugar importante entre os filmes de ação.

Divulgação

– Projeto Flórida

A Disney é o destino dos sonhos de crianças e, até mesmo, de adultos, mas poucos param para refletir sobre o universo que existe em volta desse mundo mágico. “Projeto Flórida” mostra a vida de pessoas que vivem em hotéis simples, localizados nos arredores do parque temático, especialmente da menina Moonee (Brooklynn Price), que passa as férias perturbando os hóspedes que passam por ali. A dor de cabeça maior, no entanto, é de Bobby (Willem Dafoe), o gerente do hotel e alvo constante dos problemas gerados pela garota. Seguindo um olhar infantil sobre questões de adultos, o filme usa a sutileza para apresentar ao espectador todas as descobertas dos personagens, revelando grandes dramas que, nem de longe, são vistos em propagandas turísticas da região.

Divulgação

– First Reformed

Dirigido por Paul Schrader, “First Reformed” fez pouco barulho por aqui, mas conseguiu um lugar nessa lista com louvor. O ator Ethan Hawke vive o reverendo da paróquia mais antiga dos Estados Unidos, que é confrontado com as dúvidas de um homem sobre o futuro da humanidade. As descrenças dele em relação à fé mexem com a cabeça do reverendo, que passa a questionar o caminho da religiosidade e os limites dessa crença. Com um ritmo lento, o grande trunfo de “First Reformed” é o convite feito ao espectador para acompanhar uma análise sobre a personalidade daquele religioso, feito de incertezas, traumas e desejos. Arrisco dizer que o longa marca o melhor momento da carreira de Ethan Hawke.

Divulgação

– Os Incríveis 2

O primeiro filme nunca esteve entre as minhas animações favoritas e o período de hiato de 14 anos até a continuação me fizeram ter certas dúvidas sobre “Os Incríveis 2”. Basta começar a acompanhar a história para descobrir uma ótima diversão, sustentada por uma trama redonda, personagens carismáticos e um humor agradável. A nova empreitada da Mulher Elástica, escolhida para atuar em um projeto para restaurar a legalidade da condição dos super-heróis, e os desafios do Sr. Incrível em cuidar da casa e dos três filhos rendem bons momentos, ainda que alguns não sejam muito originais. Sem dúvida, divertimento de qualidade para crianças e adultos, que aproveitam a trama sob pontos de vista diferentes.