“O Rei Leão” é esteticamente impecável, mas não tem carisma e só funciona pela nostalgia

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Erick Rodrigues

Não é segredo para ninguém que, ao refazer clássicos de animação, a Disney conta com um elemento sentimental para mobilizar novamente o público em torno das mesmas histórias. Com maior ou menor sucesso, as recentes versões live-action ou feitas com uma computação gráfica ultrarrealista sempre apostam na nostalgia do espectador para encher as salas de cinema. Com “O Rei Leão”, isso não é diferente. O filme foi feito para mexer com as emoções de quem foi criança na década de 90 ou, de alguma forma, ficou tocado pela trama e trilha sonora. Essas pessoas são atingidas em cheio pela memória afetiva causada pela nova versão, mas, tirando esse fator, não sobra muita coisa.

Sem entrar na discussão sobre a classificação do novo “O Rei Leão”, se pode ser chamado de live-action ou apenas um longa feito em computação gráfica, o espectador senta na sala de cinema e vê rigorosamente o mesmo filme da década de 90. As composições das cenas são as mesmas, as relações entre os personagens e as funções deles na história também, e até a maior parte dos diálogos são iguais aos da animação. Isso, é claro, é proposital. Ainda que apresente o clássico para uma nova geração, a Disney quer fisgar o espectador nostálgico, que sabe as músicas de cor e conhece a trama de trás para frente.

“O Rei Leão” conta novamente a história de Simba, que vai herdar o trono do leão Mufasa. O jovem é entusiasmado para deixar de ser um filhote e assumir as funções de monarca, sem pensar nas responsabilidades que surgem disso. Ele e o pai são alvo da inveja de Scar, irmão de Mufasa, que não se conforma com o fato de nunca ter tido a chance de governar. Com a ajuda de um grupo de hienas, que vivem exiladas do reino, o tio de Simba arma um plano para eliminar o rei e assumir o poder.

Perseguido e afastado das origens, Simba foge e deixa o caminho livre para Scar ocupar o trono. Bem distante dali, ainda consumido pela culpa causada pela morte do pai, o leão conhece Timão e Pumba, um suricato e um javali que ensinam ao herdeiro de Mufasa um novo estilo de vida. Depois de ser encontrado pela leoa Nala, Simba é chamado à responsabilidade para enfrentar Scar e reassumir a posição de rei.

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A nova versão de “O Rei Leão” é esteticamente impecável, construída com uma tecnologia que imprime um realismo impressionante. Desde as paisagens até os detalhes dos movimentos dos animais, tudo foi criado com um zelo digno de todos os elogios. Só que essa característica tem um efeito direto no resultado final.

Apesar da perfeição da computação gráfica, houve uma considerável perda de expressividade dos personagens em relação à animação. O novo filme não consegue reproduzir o tom lúdico do original e as expressões que construíam a personalidade fantasiosa daqueles animais são eliminadas. Com isso, a história perde carisma e se distancia do público, ainda que agregue esse olhar realista.

A intenção de resgatar a memória nostálgica do espectador torna as comparações com o original inevitáveis, mesmo que alguns argumentem que se trata de um novo filme. O caminho adotado por “O Rei Leão” é diferente, por exemplo, da abordagem vista em “Mogli – O Menino Lobo”, que ganhou um roteiro mais maduro e apresentou um olhar mais adulto sobre os conflitos dos personagens. Na história de Simba, tudo remete à animação, o que torna essa perda de carisma da história mais perceptível.

Diante disso, é possível dizer que “O Rei Leão” só funciona aflorando a nostalgia em cada um dos espectadores, que se deixam levar pela afetividade e pela ótima trilha sonora. Nessa perda de expressividade da trama, aliás, as músicas ganham destaque e emocionam mais do que a história em si.

A versão live-action ou ultrarrealista de “O Rei Leão”, como queiram, impressiona pela qualidade da computação gráfica, que produz uma estética irretocável. Essa perfeição, no entanto, gera uma perda de carisma na história, que impacta menos do que a original por conta da ausência do tom lúdico e da expressão dos personagens. A emoção de ver a mesma trama e músicas do clássico de animação surge ao longo do filme, mas ela é provocada pela nostalgia e não pelo que o longa entrega ao público. Sem esse elemento emocional, a experiência seria bem diferente.

O REI LEÃO

COTAÇÃO: ★★★ (bom)

1 Comentário

  1. Nitidamente o autor desta reportagem não possui nenhum conhecimento em cinema.
    Esta versão do Clássico “O Rei Leão” não veio para ser “campeão de bilheteria” ou ser uma “novidade” e sim trazer o mesmo e sensacional Clássico Disney, que encantou gerações por todo o mundo, em uma nova roupagem 100% digital e totalmente texturizada, trazendo assim seus personagens ainda mais “vivos”, sem falar da qualidade das trilhas sonoras e efeitos especiais emocionantes.
    Segue -se por ai a mesma linha das Triologias Star Wars (primeira e segunda), que possuem a mesma magia dos clássicos da Lucas Arts !

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