O melhor da obra de Quentin Tarantino antes da estreia de “Era Uma Vez em… Hollywood”

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Erick Rodrigues

“Era Uma Vez em… Hollywood” vai chegar aos cinemas brasileiros, nesta semana, cercado por muitas expectativas, a começar pela temática. O novo filme do diretor Quentin Tarantino vai mostrar a visão de um dos cineastas mais interessantes do mundo sobre a indústria cinematográfica dos anos 60. Além disso, inserida nesse universo, a trama vai focar no assassinato da atriz Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski, morta por seguidores de Charles Manson, líder de uma seita.

A expectativa sobre os temas que vão ser abordados no longa não é a única. “Era Uma Vez em… Hollywood” é o nono filme da carreira de Quentin Tarantino, que já anunciou que pretende encerrar a trajetória de cineasta depois de dez filmes lançados. O diretor disse, antes da estreia internacional da produção, que a repercussão da nova história serviria como estímulo para o lançamento da obra que pode finalizar a contribuição artística dele para a indústria.

Independente disso, qualquer enredo que chega aos cinemas pelo olhar do diretor merece atenção. Com ótimos serviços prestados ao mundo cinematográfico, Tarantino sempre se destaca pela capacidade criativa, por uma estética marcante e um primor textual poucas vezes visto nas telonas. Além de “Era Uma Vez em… Hollywood”, vale a pena ver (ou rever) outros grandes trabalhos do cineasta e mergulhar em um dos universos mais ricos da sétima arte.

O MELHOR DE QUENTIN TARANTINO

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– Cães de Aluguel (1992)

Filme de estreia do diretor, “Cães de Aluguel” traz muitas características que se tornariam constantes na filmografia de Tarantino. A principal delas é o roteiro, construído de maneira instigante para mostrar as consequências de um roubo de diamantes que não sai como planejado. A história também foca na reunião do grupo de criminosos que age na ação e a forma como eles se relacionam, ainda que não soubessem quase nada uns dos outros. Os diálogos entre os personagens são cercados de absurdos e humor, ajudando a prender a atenção do espectador. O elenco é um capítulo à parte: Steve Buscemi, Tim Roth, Harvey Keitel e o próprio Tarantino, entre outros bons nomes. Uma bela forma de se inserir no universo do cineasta.

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– Pulp Fiction (1994)

A cronologia embaralhada de “Pulp Fiction” é, sem dúvida, o grande mérito do longa. A construção da narrativa, fora de uma ordem tradicional, deixa os olhos do espectador vidrados em frente à tela para entender como uma dupla de capangas, um chefão do crime, uma mulher proibida, um boxeador e um casal de assaltantes estão ligados. As tramas vão sendo costuradas e, aos poucos, revelam os pontos de convergência. A estética do filme é repleta de referências e ajudou a construir símbolos da cultura pop, que são replicados para além do cinema. Aqui, fica claro que Tarantino não tem pressa no desenvolvimento das tramas e tipos retratados pelo elenco, mais uma vez primoroso. Diálogos e sequências longas vão gradativamente criando a história que o cineasta queria contar.

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– Kill Bill: Volumes 1 e 2 (2003 e 2004)

“Kill Bill” foi dividido em duas partes, mas pode ser considerado uma obra só. Decidida a buscar vingança, uma mulher conhecida como “A Noiva” embarca em uma jornada para atingir todos aqueles envolvidos em um episódio de extrema violência no dia do casamento dela, especialmente Bill (David Carradine), ex-chefe e amante da protagonista. Marcado por um exagero estético e formado por uma mistura de estilos, que vai dos filmes de artes marciais aos westerns spaghetti, “Kill Bill” costura referências e cria uma obra que enche os olhos. As cores, as coreografias das lutas e os quadros filmados só provam que Tarantino é um cineasta completo. O roteiro não chega a ser tão inspirado como outros filmes do diretor/roteirista, mas o conjunto merece muitos elogios.

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– Bastardos Inglórios (2009)

Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, “Bastardos Inglórios” é mais um caso de roteiro que valoriza cada palavra escrita, que vai ganhar força nas vozes dos atores. Em cenas prolongadas, o elenco parece ter consciência da qualidade do texto e saboreia cada sílaba dita. Inteligente, a história parte de elementos reais para criar uma ficção poderosa sobre um grupo que extermina nazistas subordinados a Adolf Hitler. Paralelo a isso, uma jovem judia consegue fugir do impiedoso coronel Hans Landa (Christoph Waltz) e, anos depois, planeja uma vingança contra o Terceiro Reich. Em “Bastardos Inglórios”, Tarantino cria um filme de época com muita personalidade, utilizando figuras estereotipadas, violência e situações exageradas em um equilíbrio que só o diretor consegue ter.

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– Django Livre (2012)

Sempre inspirado por muitas referências, Quentin Tarantino construiu um faroeste a seu modo, formado a partir das principais características do gênero, como enquadramentos e trilha sonora, mas que, também, acrescenta muito do estilo desenvolvido pelo diretor até aquele momento. “Django Livre” se passa no sul dos Estados Unidos e mostra como um ex-escravo se junta a um caçador de recompensas para perseguir criminosos e, ao mesmo tempo, resgatar a esposa, que vive à mercê de um cruel fazendeiro. Além de todas as qualidades já ditas e repetidas do cineasta, o longa tem no elenco uma grande força. Jamie Foxx, Christoph Waltz, Samuel L. Jackson e Leonardo DiCaprio apresentam desempenhos irretocáveis e são importantes para o êxito da história. Na filmografia do diretor, “Django Livre” é meu favorito.

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– Os Oito Odiados (2015)

Apostando em um roteiro sólido e no relacionamento entre os personagens, sem grandes recursos de cenário ou ação, “Os Oito Odiados” é quase uma experiência teatral. A maior parte da história se concentra em uma cabana, com personagens entrando e saindo de cena como se estivessem em um palco. Mais uma vez, Tarantino mostra o talento que tem para construir diálogos e tipos hipnotizantes, que se encontram para evitar uma nevasca. Hostilidade, traições e violência permeiam aquelas relações, que se estabelecem como jogos de apostas. Os desempenhos de Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Tim Roth, Bruce Dern e Channing Tatum merecem todos os elogios. “Os Oito Odiados” não é uma unanimidade e alguns afirmam que Tarantino se repete nesse longa, mas, mesmo assim, as qualidades superam qualquer defeito.

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