As grandes decepções do cinema em 2018

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Por Erick Rodrigues

Prometer e não cumprir não é uma característica exclusiva do universo político. A indústria do cinema também dá suas escorregadas e, vez ou outra, entrega resultados decepcionantes ao público, bem diferentes dos trailers, sinopses e outros materiais de divulgação das histórias. Em 2018, não foi diferente e alguns filmes não renderam como esperado.

Grandes produções cinematográficas chegaram às telonas, neste ano, cercadas por muitas expectativas de fãs, mas decepcionaram. Impulsionados por serem continuações de filmes de sucesso ou originados a partir de consagradas franquias da sétima arte, alguns deles não só frustraram a crítica, mas também desagradaram o público de uma forma geral.

Diante disso, resolvi listar sete filmes que prometiam muito, mas tiveram resultados desastrosos em 2018.

FILMES QUE DECEPCIONARAM EM 2018

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– Venom

Depois de aparecer e ser muito mal explorado em “Homem-Aranha 3”, o vilão do universo da Marvel merecia um projeto melhor no cinema e, a julgar pela expectativa dos fãs, parecia que tudo se encaminhava para isso. Mas, só parecia! “Venom”, filme solo do personagem, é ruim de doer! Genérico e feito a partir de um argumento muito preguiçoso, o longa foi claramente apenas planejado para faturar nas bilheterias, o que de fato ocorreu. Apesar de poder ser considerado um êxito de público, a qualidade é bastante questionável e, mesmo com um bom elenco, não consegue empolgar. Tom Hardy, que vive o jornalista Eddie Brock, até tenta segurar a história, mas o roteiro nada interessante e a tentativa falha de trazer humor ao personagem não permitem. Com certeza, um filme que merece ser esquecido.

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– Han Solo: Uma História Star Wars

O ótimo “Rogue One”, primeiro filme derivado da clássica saga original de “Star Wars”, empolgou muito a Disney e a Lucasfilm, gerando projetos de novas histórias do gênero. Alguém achou que seria uma boa ideia mostrar aos fãs da franquia o passado de Han Solo, um dos personagens mais populares desse universo e que ficou famoso pela atuação de Harrison Ford. Julgando o resultado, ficou provado que isso foi um enorme engano. “Han Solo: Uma História Star Wars” se sustenta por caminhos fáceis do roteiro, criados a partir de características mostradas na saga original, mas que rendem muito pouco em um filme exclusivo do personagem. Alden Ehrenreich, escolhido para viver o jovem Han Solo, não está mal no papel, ainda que também não tenha um desempenho inesquecível. Nem mesmo o fato de mostrar o primeiro encontro do personagem com o parceiro Chewbacca salva a produção de ser um desastre.

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– Crimes em Happytime

Apesar de não criar muitas expectativas sobre filmes, confesso que esperei ansiosamente por “Crimes em Happytime”, longa do diretor Brian Henson. A decepção com o resultado, no entanto, foi proporcional ao desejo de ver a história na tela grande. A proposta parecia muito boa: explorar o universo dos fantoches, segmento geralmente atribuído ao universo infantil, a partir de um olhar adulto e politicamente incorreto. O filme provou, no entanto, que funcionava muito mais no trailer do que na sala de cinema. O roteiro não possui uma trama que prenda o espectador, perde força muito rápido e cansa. As piadas soam repetitivas e fazem o público rir mais por pena do que por efetivamente achar alguma graça na história policial sobre misteriosos assassinatos de fantoches. Era melhor ter continuado só como ideia ou ter encontrado um roteiro mais competente para dar vida à proposta.

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– Deadpool 2

Nem sempre a repetição de uma fórmula de sucesso gera o mesmo resultado. Sem a força do filme de estreia, “Deadpool 2” revisita o humor politicamente incorreto e a verborragia do personagem vivido por Ryan Reynolds, mas, sem o frescor do primeiro, a sequência morre na praia e ainda deixa de explorar a oportunidade de fazer o anti-herói crescer. Sem uma evolução da narrativa, o que se destaca são apenas as repetições e os clichês da história. No fim das contas, amparado pelo caminho aberto no filme de estreia, “Deadpool 2” não chega a ser ruim, mas, por ficar estacionado na proposta original, pode ser considerado uma das decepções de 2018. Novas ideias e um melhor planejamento não vão fazer mal ao futuro do personagem nas telonas.

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– Uma Dobra no Tempo

Esse projeto foi encarado pela Disney com grande expectativa e potencial para se tornar um sucesso de bilheteria e, talvez, a primeira parte de um novo universo ficcional. Após a estreia, ficou claro que todos esses objetivos dificilmente seriam atingidos. Mesmo sob a condução da diretora Ava DuVernay, responsável pelos ótimos “Selma” e “13ª Emenda”, o longa explorou mal o argumento da obra literária original, escrita por Madeleine L´Engle, e sequer trouxe uma contextualização satisfatória para o público. Além disso, os personagens de Chris Pine, Oprah Winfrey, Reese Whiterspoon e companhia têm carisma zero e não conseguem ajudar na imersão do espectador, que fica indiferente a tudo aquilo.

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– Te Peguei!

Criada a partir de uma inusitada história, publicada no The Wall Street Journal, a comédia “Te Peguei!” é capaz de fazer o espectador questionar se toda realidade merece ser transposta para a ficção. A trama dos amigos que, mesmo depois de adultos, continuam se desafiando em competições de pega-pega, apesar de curiosa, só rende um roteiro bobo e frágil. Buscando o humor, o filme só encontra o tédio, já que as piadas e situações não têm graça nenhuma e soam apenas ridículas. O desastre só não é completo por conta do bom elenco, que consegue imprimir carisma aos personagens. Para quem ainda duvida, essa é a prova de que um filme não é nada sem um bom roteiro e uma história sólida para ser contada.

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– Sicario: Dia do Soldado

Depois de um primeiro filme ótimo, dirigido pelo igualmente bom Denis Villeneuve, a franquia “Sicario” ganhou, neste ano, uma continuação que tinha tudo para continuar o caminho aberto há três anos, com a estreia de “Terra de Ninguém”. Sem Emily Blunt, a sequência “Dia do Soldado” conseguiu o feito de despencar o nível do primeiro filme e deixá-lo aparecer na lista de decepções de 2018. Resgatando os personagens de Josh Brolin e Benicio del Toro, “Sicario: Dia do Soldado” apresenta um história desfocada, que insere muitas tramas paralelas ao contexto principal e, depois, não consegue lidar com todas elas. Com desfechos previsíveis, o roteiro nem esbarra no clima de suspense do original. Um projeto completamente desnecessário!