Cinco bons filmes de realismo fantástico que estimulam a imaginação do espectador

Divulgação

Por Erick Rodrigues

Um homem apaixonado descobre que pode viajar no tempo e voltar ao passado para ter uma nova chance de reconquistar a mulher amada, mesmo que isso possa ter efeitos na vida que ele conhece. Uma faxineira descobre uma misteriosa conexão com uma criatura aquática, que se transforma em uma história de amor capaz de alterar a vida dos dois. Ou, então, uma dupla de anjos que persegue um casal improvável, que se descobre apaixonado.

Seja na literatura, na televisão ou no cinema, obras que exploram o realismo fantástico, apesar de cada vez mais raras, costumam proporcionar ótimas oportunidades para que os espectadores “alimentem” a imaginação. Isso porque o gênero, apesar de ter a estrutura sustentada na realidade, permite que as histórias percorram caminhos considerados impossíveis, onde tudo pode acontecer aos personagens, basta que a imaginação fértil do autor queira.

Apesar de tomado por filmes baseados em histórias reais, que dão pouca margem à imaginação, o cinema tem bons exemplos de como o realismo fantástico pode ser usado para entreter, inspirar, emocionar e, também, levar o espectador a reflexões, geralmente estimuladas pela magia que as situações vividas pelos personagens podem proporcionar. Pensando nesse tipo de obra, listei cinco longas que podem te afastar da realidade por um período e te conduzir para uma viagem inspiradora.

REALISMO FANTÁSTICO NO CINEMA

Divulgação

– Por Uma Vida Menos Ordinária (1997)

Dirigida por Danny Boyle, o mesmo de “Transpotting” e “Quem Quer Ser Um Milionário?”, essa comédia romântica mergulha no realismo fantástico para contar a história de um casal improvável, formado a partir de uma sucessão de erros e perseguições. Depois de ser mandado embora do emprego, Robert (Ewan McGregor) decide sequestrar a filha do ex-chefe, Celine (Cameron Diaz), uma mulher um tanto quanto rebelde que, mostra, em alguns momentos, ter mais coragem do que o próprio sequestrador. “Por Uma Vida Menos Ordinária” se transforma em uma perseguição quando a dupla vira alvo de dois anjos atrapalhados e, por incrível que pareça, violentos, que têm a missão de fazer o casal se apaixonar. Esse contato com criaturas celestiais vai produzir situações engraçadas, caóticas e, claro, impossíveis de acontecer em filmes que não sejam desse gênero.

Divulgação

– Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003)

Poucas mentes do cinema são tão criativas como Tim Burton, diretor que sempre procura acrescentar magia em suas histórias. “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” talvez seja o trabalho mais poético do cineasta, que criou uma trama repleta de metáforas e simbolismos para mostrar a relação conturbada entre pai e filho, que não se entendem justamente pelo fato de o primeiro conduzir a vida valorizando a imaginação e contando experiências incríveis, que não são consideradas reais. Além de levar o protagonista Will (Billy Crudup) a uma viagem pelo universo relatado pelo pai, vivido por Albert Finney, o longa também é um convite irresistível para que o espectador deixe a realidade e acredite que tudo é possível, especialmente quando o amor é o fio-condutor de qualquer iniciativa.

Divulgação

– Questão de Tempo (2013)

Toda família tem tradições e segredos, que são transmitidas entre as gerações. É por isso que o jovem Tim Lake (Domhnall Gleeson) descobre que possui uma característica herdada apenas pelos homens da família dele: a capacidade de viajar no tempo. Alertado pelo pai, vivido por Bill Nighy, sobre os efeitos que essa habilidade pode trazer para a vida, Tim decide usar o dom para conquistar o coração da mulher amada e, também, dar um jeito em outros acontecimentos, fazendo tudo melhorar. Inteligente e inspirado, “Questão de Tempo” procura fazer o espectador refletir sobre a existência de uma “vida perfeita”, tão desejada quando alguns acontecimentos não saem como pretendido. É claro que Tim vai perceber, no entanto, que essas viagens no tempo podem ter consequências.

Divulgação

– O Labirinto do Fauno (2006)

Em plena guerra civil espanhola, a menina Ofélia (Ivana Baquero) se muda para uma região onde a truculência do padrasto, um oficial do exército, é necessária para reprimir alguns guerrilheiros. Logo depois, a mãe dela, Carmen (Ariadna Gil), fica gravemente doente, o que deixa a garota apavorada e solitária. Para salvar a mãe, a jovem descobre, nos jardins da propriedade onde vive, um labirinto que dá acesso a um mundo de fantasia e escuridão. Lá, ela descobre a existência de uma criatura que oferece soluções mágicas e oportunidades para a menina. Dirigido por Guillermo del Toro, “O Labirinto do Fauno” constrói uma fantasia adulta e soturna, sustentada por uma realidade implacável, que faria qualquer um desejar o impossível.

Divulgação

– A Forma da Água (2017)

Vencedor do Oscar de melhor filme, “A Forma da Água” reforça o interesse do diretor Guillermo del Toro pelo gênero fantástico. Aqui, a trama se passa durante a Guerra Fria e mostra o interesse da faxineira Elisa (Sally Hawkins) por uma criatura, meio humana e meio aquática, que é estudada para se transformar em uma arma do governo norte-americano contra os russos. Muda, a protagonista usa a música e a linguagem de sinais para se comunicar com aquela criatura e estabelecer um amor improvável, cercado de acontecimentos mágicos. Usando um argumento e soluções que poderiam ser consideradas impossíveis no mundo real, o filme ajuda o espectador a olhar além das aparências para descobrir que, nem sempre, o monstro tem uma aparência repugnante.