Por José Simões

O teatro como se sabe é a arte do efêmero, fugaz. O teatro acontece no aqui e agora. A face visível do oficio teatral são os artistas. São eles que com o rigor, dedicação, estudo, intuição e trabalho (muito trabalho mesmo) constroem o território desse ofício que chamamos de teatro.

Um território permeado por muitos atravessamentos e aventureiros. A maioria dos artistas não é contra os aventureiros. Os artistas gostam de aventuras e novidades. Mas certamente esses aventureiros não sobreviverão no ofício. Isso porque o dia a dia é muito difícil. No barco que é o teatro os artistas remam, limpam, varrem, ensaiam, arrumam, etc. não ficam somente se olhando no espelho, hipnotizados por narciso.

A atriz Bibi Ferreira – Abigail Izquierdo Ferreira – nasceu no Rio de Janeiro, em 1 de junho de 1922. Filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina espanhola Aída Izquierdo. Não quero me arriscar a resumir a sua trajetória. A possibilidade de errar é enorme. Ela fez quase tudo relacionado ao teatro. É, portanto, uma artista do teatro. Fez do palco o seu oficio e arte.

A morte de uma atriz com a dimensão de Bibi Ferreira deixa teatro triste. São tantas as personagens, tantas vidas criadas em cena que se chega a imaginar na imortalidade. Numa de suas raras aparições Bibi Ferreira foi assistir ao musical sobre a sua vida – ‘Bibi, uma vida em musical’ é escrito por Artur Xexéo e Luanna Guimarães com interpretação de Amanda Acosta.

Ao final, disse: “Eu quero dizer para vocês que eu nunca vi um público assim tão querido, tão amigo, tão bonito como o de hoje. Parabéns e muito obrigada” Gentil. Sabe a importância do público. Sabe que é para ele que se faz o teatro.

Obrigado Bibi Ferreira por todo o trabalho feito no e pelo o teatro. Respeitosamente as novas gerações seguirão puxando a corda e remando.

Jose Simões é professor, encenador e pesquisador na área da Educação, do Espaço Teatral e Teatro-Educação.